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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Quando ele nasceu, eu renasci

Depois da minha última consulta com a GO fui com minha mãe fazer o último ultrasson, que nos diria as reais medidas e condições do bebê dentro da minha barriga. Chegamos meia hora antes do horário marcado e já tinham umas três gravidinhas esperando sua vez, mas como fiquei jogando conversa fora com mamis, até q passou rapidinho e logo chegou minha vez. Entramos na sala e depois de todo o processo levanta a blusa, abaixa as calças e besunta El barrigón com gel, o Sr. Doutor começou a passar a maquininha pra vermos o meu pequeno.
Segundo palavras do próprio Sr. Doutor, ele estava ótimo, pulmões completamente formados, batimentos cardíacos ok, encaixadinho para o parto. A surpresa (ou não) é que o pequeno não era tão pequeno assim: 52 cm, 4.200 kg foi o veredicto. Aí que veio a pergunta: - Já marcou o dia do parto? (comoassimmeodeus?) Eu disse que não, que queria parto natural e tava tudo correndo pra isso e tals, patati patatá, aí ele fez aquela cara de reprovação e soltou: - Olha, é seu primeiro parto e com um bebê desse tamanho eu não recomendo parto normal, além do mais ele tá com 2 voltas do cordão umbilical no pescoço (Pai amado, nessa hora quase caí da maca).
Como assim? E meu sonho de ter um parto natural, de esperar meu filho nascer na hora em que ELE escolhesse? Fiquei tão assustada com hipótese de arrancarem meu filho da minha barriga antes da hora que saí de lá chorando, completamente arrasada. Minha mãe tentou me acalmar dizendo que era assim mesmo, que nem sempre as coisas saíam exatamente como a gente queria e que se Deus deu discernimento para que o médico me recomendasse uma cesárea é porque isso seria o melhor pra mim e para o bebê, mas definitivamente as palavras dela não melhoraram em nada meu sentimento de fracasso.

Apesar de tudo, marquei o dia da operação, pois eu teria meu bebê em uma maternidade pública e tive medo de, por falta de assistência devida, pudesse acontecer algo pior comigo ou com meu filho. Resignada, só me restou conversar muito com ele naqueles últimos dias, em meio a lágrimas eu explicava pra ele o que estava acontecendo e pedi pra ele dar logo um sinal de que estava realmente pronto pra nascer e eu pedia isso com todas as forças do meu coração. Até que na véspera da data marcada pra cesárea, finalmente comecei a sentir as tão desejadas contrações. De manhã fui pro hospital com minha mãe, como previsto. Fui examinada e ao constatarem meus 3cm de dilatação, me encaminharam pro centro cirúrgico.
Tentei ficar tranqüila, só pensava que logo teria meu amorzinho nos braços e foi assim mesmo, a cirurgia foi bem rápida, tive a sorte de carir nas mãos de uma equipe super atenciosa e logo pude ver pegar ele nos braços e olhar pro rostinho dele. Ele nasceu forte, bem ativo, com 4.170kg, 53 cm e uma fome de leão. Se agarrou imediatamente aos meus peitos e não soltou até hoje.



Agora ele já está com 10 meses completos, é o bebê mais lindo e inteligente que eu já conheci (e não é corujice de mãe não, viu? Todo mundo fala isso) e eu me sinto cada dia mais abençoada por ter sido escolhida pra cuidar de um serzinho tão especial. Agradeço todos os dias a Deus por essa oportunidade de poder me tornar uma pessoa melhor, por poder experimentar o maior e mais verdadeiro amor que possa existir no mundo e por ser recepcionada, todos os dias, depois de um longo dia de trabalho, com o sorriso mais gostoso do planeta.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A hora da notícia

Então eu estava grávida, solteira e morrendo de medo de dar essa notícia para minha família. Decidi falar primeiro com “o amigo”, que agora seria o pai do meu filho (pelo menos deveria ser), assim eu já teria o que responder quando a minha mãe perguntasse: - E o pai, o que vai acha disso?
Na verdade, eu tinha esperança de receber o mínimo de apoio do dito cujo, afinal nós nos conhecíamos há muito tempo, eu segurei a barra dele vááárias vezes e agora tava carregando um filho dele. Liguei, disse que precisava falar com ele, marcamos de nos encontrar e lá fui eu. Chegando lá, beijinhos, abraços, algumas reclamações dele sobre a ex-mulher que não deixava ele ver a filha (é, na época ele já tinha uma filha de 1 ano) e eu solidária a tudo, mas procurando um jeito de introduzir o assunto.
Pensei em: - Olha, eu entendo que você queira ver mais a sua filha, mas ó prometo que esse bebê que eu to esperando você vai poder ver sempre que quiser tá? – E foi quase assim mesmo que saiu, acho que o nervosismo me fez cuspir esse pensamento sem que eu notasse. Quando me dei conta do que tinha dito, vi “o amigo” paralisado, juro que ele passou uns bons 5 minutos sem conseguir pronunciar nenhuma palavra. Depois que ele voltou a falar, desejei ardentemente que ele tivesse ficado mudo para sempre, mas né? As coisas nem sempre são do jeito que a gente quer.
Em resumo, ele perguntou se era dele (não, é do cara que vende picolé, só vim aqui te contar porque queria dividir minha alegria com você), o que eu pretendia fazer (como assim? Eu pretendo engordar uns 15 quilos e botar esse serzinho pra fora daqui a uns 7 ou 8 meses, oras).Moça fina e educada que sou, achei melhor encarar aquela atitude como culpa do choque da notícia e respondi educadamente que sim, o filho era dele sem sombra de dúvidas, já que eu não me relacionava com nenhum outro homem há pelo menos 4 ou 5 meses, e que a curto prazo eu pretendia contar a novidade para minha família, iniciar o pré-natal e me preparar para o nascimento do meu filho.
Infelizmente essa não era a resposta que ele esperava e eu comecei a ser bombardeada com propostas altamente indecentes, mas nada agradáveis (prefiro não reproduzir o conteúdo), seguidas que uma crise de choro dramática. Nessa hora, achei melhor não falar mais nada, deixar ele se acalmar e ver o que vinha depois. Acabamos dormindo juntos, abraçados e eu sinceramente pensei que o pior tinha passado. De manhã, me levantei, e fui embora depois de um beijo e a frase: - Pensa direitinho, vai dar tudo certo.
Uma semana depois, ele não havia mais me ligado, eu já tinha falado com o pessoal da empresa onde trabalho, alguns amigos e tava me preparando para o mais difícil: Minha mãe. Aí o telefone tocou, era ele, atendi, ele perguntou como eu estava e ao responder que estava bem, ouvi novamente as propostas imorais e ilegais que ele havia me feito na semana anterior. Deixei minha educação de lado e mandei ele para um lugar bem distante. Agora não tinha mais jeito, era eu, Deus, minha mãe e um pequeno ser que crescia dentro de mim. Resolvi encarar a fera.
Em casa, a notícia saiu rápido pela minha boca, parecia até que minha mãe já sabia o que eu tinha pra falar, ela meio que adivinhou e logo depois eu comecei a ouvir um típico sermão de mãe, daqueles que ninguém gosta de ouvir, mas bem no momento eu tinha mais é que ficar quieta mesmo. Depois de explicar tudo veio o pior, minha mãe estava arrasada, decepcionada comigo, mas só me disse: - Agora você vai ter uma responsabilidade infinita e vai ter que aprender a ser a melhor mãe para o seu filho.
Eu fiquei destruída, mas aliviada por saber que poderia continuar contando com ela, mesmo que todo o resto do mundo me virasse as costas.